
Semiótica,basicamente, é o estudo dos signos e dos seus significados. Muito se usa para fazer estudos sobre a cultura, e para confundir alunos de jornalismo na universidade que não vale mais nada [/sarcasmo]. Pode ser em qualquer lugar. Em uma música, em um livro, revista em quadrinhos, pintura e sim...até nos video games.
Um jogo perfeito para exemplificar a semiótica é Punch Out!!. Punch Out!!, para o Wii, nada mais é que um jogo de boxe, que pouco tem a ver com boxe (idêntica a sua versão do NES). O esporte, no jogo, nada mais é que uma desculpa para entretenimento simples. Assim como Rocky. A verdadeira natureza do jogo é reconhecimento de padrões dos lutadores para evitar levar uma bifa na fuça. Nada mais, nada menos. Pena que não é tão fácil.
Simples também é o controle. Há três métodos de controle. Pode usar o nunchuk acoplado ao Wii-mote, assim os movimentos que faz com os dois controles equivalem aos socos, e a alavanca do nunchuk permitem a sua esquiva para os lados. Mas utilizando a Wii-Balance Board, pode usar a balança para essa esquiva. E finalmente o modo mais clássico, o Wii-mote na horizontal, em que se usa os botões para o soco e o direcional digital para a esquiva. Os métodos de controle funcionam em todas as suas versões, mas pessoalmente, eu tive problema usando a alavanca do nunchuk na hora das esquivas. Mas de qualquer maneira, funciona.
Punch Out!! apresenta uma lista de personagens que são tudo, menos sem carisma. Do francês fracote Glass Joe, ao irlandês trapaceiro, Aran Ryan, todos tem a sua dose de humor única, e muitas vezes até ofensiva culturalmente. Primeiro elemento da semiótica aí. O francês que sempre perde (tem uma vitória, contra 99 derrotas) é o exemplo de como encarar a imagem que muitos tem da própria França. Não que seja correta, mas é a imagem que tem. O irlandês trapaceiro também. São todos estereótipos, como o russo beberrão (que bebe refrigerante, por questões de influência nas criancinhas), e o halterofilista narcisista.
Mas a semiótica não acaba aí, pois todas essas caracterísitcas se transcrevem as lutas em si. É preciso avaliar tudo na luta. Os movimentos do personagem, a própria música, e o que eles falam. Há muitas dicas (visuais, linguisticas, sonoras) no jogo para ajudar na vitória. Mas algumas vezes é tão sutil que nem consegue perceber até ter sido nocauteado algumas vezes. O jogo se torna ainda mais difícil que o personagem que você controla faz jus ao seu nome, Little Mac. Um franzino, e diminuto lutador, que só enfrenta cavalos do boxe. Little Mac, não fala nada, mas transmite o verdadeiro espirito do jogo, e como se sente ao enfrentar os boxeadores rivais.
Outro elemento que transborda semiótica é Doc Louis, o treinador de Little Mac. Entre um round e outro, Doc dá dicas e sugestões para a luta. Mas às vezes são tão confusos e cômicos que até te fazem esquecer da luta, até porque, na maioria das vezes nem tem a ver com a luta, como "Sabe qual é a minha flor favorita? Chocolate". Os traficantes devem ter um cliente fiel representado pelo cara que escreveu isso.
Todos esses elementos ganham vida mesmo pelos visuais e pela atenção aos detalhes de cada caracteristica necessária. Há tanto para se observar nos personagens que pode se perder, e é essa a hora que devemos saber o que observar. O audio do jogo é impecável, e ganha pontos de relevância já que cada personagem fala a língua do seu país de origem. Turco, francês, japonês, tudo tem no jogo. Para os poliglotas é um prato cheio. Mas dificilmente um poliglota deve gostar de jogos de boxe.
A natureza simples do jogo, não permite que o jogo seja de maneira alguma fácil, e deixa Punch Out!! um jogo bem mais complexo que os "simuladores" que existem por aí. É onde o conhecimento visual e sonoro precisa ficar em conjunto com a velocidade de raciocino e compreensão de padrões. Isso não é tarefa pra qualquer um. É um jogo para lutadores semióticos.

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