
Já é de conhecimento geral para o Gasparzinho (o único que visita o meu blog, sabe, porque ele é fantasma e camarada), que acredito que video game seja uma forma de arte, com seus próprios elementos. Mas de vez em quando nos deparamos com um jogo que utiliza elementos de outro meio. Esse é o caso de Muramasa The Demon Blade, que é uma pintura viva.
Os desenhos são o elemento mais impressionante do jogo, como os cenários e personagens são todos desenhados (ou pintados) à mão. A fluidez da animação e a simples apresentação do mundo japonês de Muramasa, são de cair o queixo. Nada de gráficos realistas 3D (afinal, isso aqui é Wii), mas o jogo é de uma beleza singular, que deixa qualquer tentativa de simular a realidade de calças arriadas.
O jogo tem duas histórias diferentes, cada um com um personagem diferente. A história de vingança de Junkuro, um samurai que foi assassinado mas que entrou no corpo de uma jovem e inocente nobre japonesa chamada Momohime, e a história trágica de amor de Kisuke. As duas história não se cruzam de fato, mas há momentos que os personagens se encontram. Cada uma das histórias tem fôlego para ter o seu próprio jogo, mas o que elas tem em comum é o ferreiro e criador de espadas Oboro Muramasa (o mesmo do título).
O jeito que Muramasa trabalha na trama é criando espadas para os personagens. Cada espada tem niveis de força diferente, e também cada espada tem um golpe especial próprio. Quanto mais você fortalece o seu personagem, mais espadas fortes vai destravando. Ao todo são 100 espadas entre Kisuke e Momohime, sendo que cada um tem acesso a espadas diferentes.

Além das espadas, os dois personagens enfrentam chefes diferentes, já que tem histórias diferentes. Mas as diferenças acabam aí. Os dois são controlados de igual maneira, mudando apenas a aparência de cada um. Apesar dos chefes serem diferentes, os inimigos e cenários são os mesmos. E é necessário dizer que os cenários apesar de belos, se repetem até o final, o que pode parecer ruim, mas dificilmente apaga a imagem original do jogo.
Entretanto as batalhas são frenéticas, podendo os combos começarem no chão, e seguirem ao ar, o que dá um ar especial ao jogo, e sendo preciso usar estrategicamente cada espada para um resultado melhor. Você pode carregar consigo 3 espadas em cada luta, mas essas espadas tem energia também, e podem quebrar, mas cada elas se regeneram com o tempo, então é bom que escolha espadas sobressalentes boas também.
Algumas escolhas feitas pelos criadores também dão autenticidade à experiência, como todos os diálogos terem sido gravados em japonês com legendas em inglês. Também o mapa se passa em boa parte do Japão e suas diferentes provincias. Os inimigos e chefes tem um estilo que beira o assustador em alguns momentos. As lutas contra chefes são definitivamente épicas. Destaque para um combate contra um Dragão, que luta nas nuvens e voa entre as nuvens criando tempestades.
Outro destaque são para as músicas, que como todo o jogo, são autenticamente japonesas, usando instrumentos do Japão Antigo e ajudando na criação dos elementos épicos do jogo.
Direção de arte impecável, uma jogabilidade satisfatória, lutas insanas, histórias consideravelmente involvente, Muramasa The Demon Blade é o tipo de jogo que te faz sentir falta de quando tudo era 2D, e faz perceber que games precisam de inspiração de outras eras da arte, sem perder a identidade atual.



