18 de outubro de 2009

Super Castlevania IV


Chegando o final do mês de outubro há a comemoração do Dia das Bruxas, que os brasileiros, por falta de criatividade, copiaram e comemoram, só para parecer americanos. Nem "Dia das Bruxas" dizem mais. É "Halloween". Pra mim sempre será Dia das Bruxas. E é justamente nessa época que o macabro começa a permear a mídia.

Bem, por coincidência, passei a jogar Super Castlevania IV que envolve todo tipo de monstros e temores clássicos. Zumbis, Monstro de Frankenstein e os que estão na moda agora, vampiros. Mas não são os vampiros emos de "Crepucúlo" que você enfrenta aqui. É Dracula, e o seu maldito castelo, conhecido como Castlevania (daí o nome do jogo, dã).

É o tipo de jogo simples, mas que a atenção nos detalhes faz uma simples caminhada de um ponto "A" ao ponto "B" se tornar algo memorável. A arma principal é um chicote (ui), mas há armamento secundários, como machados, facas, cruzes (sabe, porque vampiros odeim cruzes), água tempo (mesma coisa que as cruzes) e um relógio que para o tempo. Vou repetir. Um relógio que para o tempo. Tais armas existem desde o primeiro Castlevania, mas se alguma coisa Castlevania IV demonstra é que é possível ter uma experiência diferente com os mesmos elementos de experiências anteriores.

Nesse caso a diferença fica na capacidade de imersão e na criatividade dos designs de fases. Você sente realmente que está em um castelo medieval, ou em uma caverna sombria. Os ossos de visitantes anteriores espalhados pelo cenário. É tudo crível, por mais incrível que seja. Mas além disso, a exploração do cenário se torna sobrenatural, te fazendo compreender como o fantástico pode ser tão atraente e, ao mesmo tempo, tão mortal.

Ele usa um ecletismo de inspirações para a criação de inimigos, cenários e até na música. Há variância entre músicas clássicas e até pequenas peças de rock. Seria estranho, se não fossem tão bem elaboradas.

Não tive a oportunidade de jogar Castlevania IV quando o Super Nintendo estava no seu auge, mas agora que experimentei, me arrependo de não tê-lo feito. Um clássico, de uma série clássica, antes dos personagens principais se tornarem emos superpoderosos.

Religião, Política e Futebol


A tríade da mudez. Não podemos falar disso. Isso não se discute. Sexo, se discute. Morte, se discute. Guerra, se discute. Tecnologia, se discute. Engraçado, tirando futebol, todos esses tópicos envolvem política ou religião e, em alguns casos, os dois.

Por que diabos não se fala desses três assuntos?

Começando pelo que esses três pontos tem em comum. São uma grande parte de pessoas, colocando as suas crenças na mão de outros poucos punhados de pessoas. 12 no futebol (11 em campo e um técnico), 9 na política (presidente, governador, prefeito vereador, deputados estadual e federal e 3 senadores), e dependendo da religião que se segue, pode variar, mas na maioria dos casos é só um cara.

Outro ponto em comum entre esses três pontos. Elas envolvem algo que por muitos é visto como virtude: fé. A fé nada mais é que uma desculpa para se acreditar em algo, sem ter que se pensar muito sobre isso depois que passa a acreditar. Seria como se você casasse com uma linda mulher (no caso de você ser uma mulher e não curtir outras mulheres, troque "mulher" por "homem") e nunca suspeitasse dela ser uma traidora (de qualquer nível: sexualmente, economicamente, gamisticamente etc). O que é lindo e maravilhoso. Você acredita na fidelidade da sua mulher.

Mas a fé vai além de acreditar. É chegar em casa, ver a mulher nua com outro homem na sua cama, e falar "oi" pra ela como se não houvesse nada de errado nisso. É um fato que não existe, porque a fé o bloqueia. Se o seu time de futebol perde pra outro, não é porque ele perdeu. É porque o juiz roubou pro time adversário. Se o seu candidato foi pego fazendo um modelo em tamanho real da Caixa Forte do Tio Patinhas, com uma piscina de dinheiro mesmo, não é roubo. É apenas intriga da oposição. Se o seu pastor foi pego falando que a Igreja é só pra receber dinheiro dos fiéis, é porque os que falam isso são os demônios que querem a sua alma.

Para se escolher lados nesses três âmbitos as pessoas usam como base, as influências próximas, e ir de contra a escolha de uma pessoa, é ir contra as pessoas próximas à eles. Esse é o verdadeiro problema. Mas a verdade é, que a escolha de uma religião, de um pensamento político e de um time, é tomar decisões antes de encarar os fatos. É tornar as crenças em fatos.

Há uma série de programas na Rede Globo chamada "Sagrado", em que a cada dia um representante de uma religião diferente fala sobre temas envolvendo aspectos espirituais. Há represetantes do islamismo, judaísmo, catolicismo e religiões afro-brasileiras e etc. Começando, sabe quantas religiões afro-brasileiras existem? E só colocam uma representante de todas elas? É como colocar o Corinthians para representar todos os times de São Paulo. Mas mais impressionante, é que a idéia do programa é sobre a união das religiões. E por isso, não há nenhum representante ateu. Sabe como é, os ateus iriam chegar estragando tudo com fatos.

O partidarimso político nada mais é que, tomar decisões antes de ouvir qual é o problema. E qualquer política se baseia em pensamentos éticos e morais provenientes da religião. É interligado. Como isso não pode ser discutido?

A mutação é a maneira que encontramos para sobreviver. Ou seja, nada é para sempre. O Palestra Itália virou o Palmeiras, o liberalismo deu origem neoliberalismo, e o catolicismo deu origem ao protestantismo. Se há mudança, há o que ser discutido.

A idéia é que não se discuta porque a opinião de cada um é pessoal, e não há porque criar conflito já que não vai se chegar a lugar algum. E talvez pela discussão não se chegue. Talvez. Há ainda a possibilidade de haver mudança. Mas jamais vai se chegar a lugar algum se os canais não estão abertos.

Primeiro, cada pessoa acredita porque acha que está certa. Ninguém acredita em algo que está errado. Isso é idiota. Cada idéia que se tem, é precisa ser testada. Do contrário vai ocupar espaço desnecessário na sua cabeça. É pra isso que há discussões.

Outro dia, estava em um engarrafamento. O engarrafamento ocorreu, porque a Imagem da Santa Nossa Senhora de Nazaré estava passando. Ao longo da semana percebi que o trajeto que tal imagem iria percorrer estava sendo asfaltada, e isso não deve ser discutido? Fui estuprado religiosamente, politicamente. Tudo bem. Mas é uma pena chegar em casa, ligar a TV e ver pessoas falando dos times do Rio de Janeiro e de São Paulo (Sendo que sou gaúcho e moro em Belém do Pará). Pronto. Fui estuprado futebolisticamente.

Que provas há de que Deus existe? Se a sociedade é capitalista, porque ainda se fala de partidos de esquerda? Por que o Corinthians e o Flamengo tem mais tempo de exposição na mídia, já que nenhum deles está em primeiro colocado no campeonato brasileiro? Isso são temas pra discussão, e que dizem respeito a todos os torcedores, politizados e crentes e não crentes. Não há como ou porque fugir. Só se não tiver argumentos. Então é necessário mudar o ditado popular para "assuntos que um ou dois dos lados não tem argumentos não se discute".