3 de janeiro de 2009

Linguagem Gamística







Todo meio de comunicação tem uma linguagem que os diferenciam. A literatura tem as letras, o rádio tem os sons, o cinema a imagem. E assim cada um tem um jeito único de atrair novos públicos. E qual é o do video game?

Um dos meus primeiros posts nesse blog foi sobre video game ser arte ou não. Essa discussão tem muito a ver com ela. Na verdade o que me fez criar esse post, é sobre um recente documentário que assisti, e que tratava de Hollywood e video games. A influência de um no outro, e as adaptações de um meio para outro.

Um dos pontos altos do documentário fica no final, em que um representante da industria gamistica relata que até hoje não há um "Cidadão Kane" nos jogos, que defina a narrativa do meio. Pessoalmente, essa colocação não me agrada. Entretanto, ela é precisa.

A maioria dos jogos que vendem bem, são jogos que tentam simular outros meios. A maioria é uma tentativa de transformar o cinema ou a televisão em algo interativo. Para muitos é agradável e prazeroso simular uma cena de ação que parece copiada de arrasa-quarteirões hollywoodianos. Até eu me empolgo. Só que (como qualquer arrasa-quarteirões) esse tipo de entretenimento é vazio, e é justamente o que dá má reputação aos jogos.

Atualmente o jogo mais elogiado e aclamado, é um tal de Metal Gear Solid 4. Uma das premissas da série Metal Gear Solid, é ser "um filme jogável". Nada de errado. Mas um jogo, é um meio completamente diferente. Não tem que ser filme jogável. Tem que ser algo diferente.

No inicio da televisão, muitos programas apenas usavam imagens estáticas acompanhadas de um texto gravado, que parecia tirado do rádio. A TV teve que inovar para se diferenciar completamente do rádio. Arranjar novos talentos que só eles pudessem arranjar. E é isso que os video games não fazem.

Roteristas, diretores, atores. Todos estão nos video games. E isso assusta. Não por causa da qualidade, mas pela perda de identidade dos video games. No momento a guerra dos consoles é travada por dois lados. Os ditos jogadores "hardcore", e os casuais. Donos de PS3 e Xbox360 contra os donos de Wii, respectivamente.

Os jogadores hardcore querem jogos mais realistas e mais parecidos com filmes de Hollywood. O tipo que alimentou tantos jogos de Segunda Guerra Mundial, até eles próprio cansarem do gênero. Isso porque queriam jogar um "Resgate do Soldado Ryan" em casa. Já os casuais querem jogar um jogo que está na moda, por 15 minutos, e depois não jogarem mais, até o lançamento do próximo jogo pop.

São duas metades da mesma laranja. Procuram apenas uma extensão de outro meio. Não algo único que só se pode arranjar no video game. É esse tipo de público que os video games precisam. E para atrair um público, primeiro precisa haver uma obra, que elimine tudo que se conhece. Que crie um mundo que nem sabiamos ser possível, que queremos conhecer e nem sabiamos.

Enquanto não haver essa quebra, um jogo que por vez elimine qualquer dúvida sobre o que é possível fazer de novo em um video game, o meio não será respeitado. Irá se tornar apenas entretenimento sem alma, e sem a singularidade capaz de justificar a sua própria existência.

Termino o post com um pensamento simples e que todo gamer deveria ter. O que ainda não foi criado e que apenas os video games podem criar? Qual seria o equivalente à um Cidadão Kane nos video games?