31 de agosto de 2007

Números além das palavras?

Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. E pelo visto números também.
Para quem é ligado ao munto dos sites especializados em video games, sabe que essa época do ano é que começa a sair as análises dos jogos de fim de ano. É quando se sabe quando os jogos são tão bons quanto vistos em demonstrações prévias ou apenas uma promessa vazia. O que os números tem a ver com isso? Muita coisa.

As análises nesses sites, usam notas para definir o valor de um jogo. E os leitores, e gamers desses sites se baseiam nas notas para decidir quais jogos valem a pena para se gastar os centavos que acumularam desde o início do ano. Muitos analistas se baseiam nos números para dar uma idéia próxima da análise completa , porém a nota é apenas ilustrativa, não necessariamente significa que um jogo com nota 9,5 é pior que um jogo com nota 9,7.

Os analistas sabem disso, só que os leitores não. A primeira coisa que uma pessoa faz, quando lê uma análise desse tipo, é procurar a nota final. Apenas depois procuram ler a análise inteira, onde está o verdadeiro trabalho do jornalista. Ou nem lêem.

E mesmo quando o fazem, o número da nota está impregnado na mente do leitor.
Recentemente dois jogos lançados para PS3 foram lançados com altas expectativas dos fiéis seguidores do console: Lair e Heavenly Sword. Porém ambos os jogos foram massacrados pela crítica especializada. Os que estavam esperando o jogo ansiosamente se dividiram. Uns ficaram decepcionados com as notas, e desistiram de comprar.

Outros se indgnaram antes mesmo dos jogos serem jogados, e crucificaram os analistas. Aos gritos de que eles não sabiam jogar, e ofensas gratuitas, eles demonstram total desconhecimento do porque uma análise existe.

É justamente um texto pessoal do jornalista. Não quer dizer que é fato. A análise existe justamente para o leitor formar a sua opinião a partir da opinião do jornalista. Gosto é questão pessoal, o jornalista não pode impor o seu sobre os leitores e nem (sempre) o faz. Mas por que os leitores reagem como se eles estivessem impondo?

O problema vem com os números. As notas de um jogo dão um ar de fato indubitável a análise. Eu pessoalmente sou contra as notas, seja em sites ou em revistas. Veja por exemplo as análises de filmes que não usam um sistema de números para avaliar o filme. Apenas o que está escrito que conta. Assim deveria ser aplicado aos textos sobre jogos de video game.

E como eu digo que video game é arte, como eu posso usar algo de Exatas para definir uma obra?

Seria como dar 9,5 para Picasso. Não parece certo, no meu ponto de vista. Dou uma nota 5,3 para esse tipo de comportamento.

28 de agosto de 2007

''Video Game é Arte?''

Uma vez estava conversando com um amigo meu sobre determinado jogo de video game. A convesa chegou a se tornar na verdade uma discussão se os jogos são ou não uma forma de arte.

O meu colega dizia que por mais belo que um jogo seja, ou bem trabalhado, ele foi feito apenas com o intuito de divertir e não passará a ser mais do que isso. Eu, por outro lado, dizia que por mais que fosse divertido jogar, isso não impede de haver arte nos video games.

Devo confessar que na hora, eu não tinha a menor idéia do que estava falando, porque meu conhecimento de arte era baseado em obras em si, não no processo de produção.
Após alguns anos e alguns pensamentos um pouco mais profundos, assim como de certa forma o meu conhecimento sobre o assunto ter se aprimorado posso defender melhor a minha teoria de que video game pode ser arte.

A discussão de video game ser arte já foi muito comentada pelos próprios criadores da indústria. Hideo Kojima, criador da série Metal Gear, diz que video game não é uma forma de arte. O principal argumento por ele utilizado é que os games tem o objetivo de agradar o maior número de pessoas possíveis e não de tentar se conectar com uma pessoa em particular.

Esse argumento em particular é até interessante quando analisamos a grande maioria dos jogos. Porém basta que apenas um jogo que não seja feito apenas para divertir apareça e faz com que essa idéia deixe de ser sensata.



Se analisarmos uma expressão de arte(Dramaturgia, Música, Literatura etc) como um todo, e pegarmos a maioria de exemplos de cada um e transformar em uma definição, com certeza será a mesma de Kojima. Pegue o Cinema por exemplo. Só nesse instante eu posso pensar em muitos filmes que nada tem a ver com a tentativa de se conectar com apenas uma pessoa. O mesmo vale para Arquitetura e a Dramatugia e todas as outras. A veia artistica é realmente uma coisa rara de se encontrar em uma pessoa. Definir arte por si só é uma coisa que até os mais audociosos temem. Mas isso é um tema para outro assunto.

Ainda não comecei a falar o que video game tem a ver com isso. Bem a maioria dos jogos de video games tem sim a intenção de divertir o maior número de pessoas possíveis. Agora, e se o fato de divertir bastante for completamente acidental? E se a intenção do criador do jogo for interpretada erronêamente pela maioria, e apenas uma pessoa utilizar um ponto de vista mais reflexivo nessa obra feita para as massas? O jogo irá se tornar uma forma de arte.

A verdade é que o que faz a maioria dos defensores do video game ser arte é dizer que agora os jogos tem história. Que criam cenários lindos. E muitos outros exemplos. Porém isso não prova que o videogame é arte. Mas sim que o videogame contém arte...de outras expressões como a Literatura, ou o Cinema. Não tem uma expressão própria. Qual é a forma de arte dos video games? O que sempre diferenciou o video game de qualquer outra expressão, desde o seu começo? A resposta é simples: a interatividade.

Pense bem...que outra arte coloca em suas mãos a escolha do caminho que deve seguir? Parecem escolhas pequenas e insignificantes, mas fazem toda a diferença porque quem as faz não é o criador, mas sim a pessoa que joga o jogo. O desenvolvedor do jogo pode criar inúmeras possibilidades, mas o jogador irá apenas escolher uma, e seguirá até o final e dependendo do caminho que escolhe o destino do jogo será diferente.

Acredito que uma ligação entre o diretor do jogo e o jogador é tão intensa mesmo que indireta, e faz com que uma ligação pessoal seja feita com um determinado jogo, mesmo que a interface seja limitada.

Não sei se realmente respondi a pergunta, mas video game é arte.

8 de agosto de 2007

Porradaria com consciência!



Chegou ao Brasil o evento que irá definir pelos próximos anos o Universo Marvel. Tal Universo consiste em certos heróis como o Homem-Aranha, Capitão América, X-Men, Quarteto Fantástico, Homem de Ferro entre outros. O evento se chama Guerra Civil.
Por se tratar de uma história em quadrinhos pode até se dizer que é apenas superficial, e que não trata de temas relevantes para os ''leitores sérios'', mas os mais atentos sempre encontram algo de útil para se aproveitar. No caso dessa saga, é possível encontrar muita coisa para se aproveitar antes de descartar apenas como mais uma desculpa para se ter embates físicos entre seres de colante.
A trama consiste no seguinte, depois de uma luta, entre um grupo de superheróis e um de supervilões, que resulta na morte de 600 crianças em uma escola nos EUA, a opinião pública sobre os defensores de roupas coloridas se transforma em ódio e indignação. O governo dos EUA, vendo tal descontentamento do povo, mas também levando em consideração a importância dos superheróis devido ao grande número de supervilões (coisas de ficção) precisa criar uma maneira de agradar gregos e troianos e o faz através de uma lei.
A lei diz o seguinte: transformar os superheróis em empregados do governo, com salário e treinamento apropiado. Até aí não seria um grande problema, porém para registrar os super-heróis suas identidades secretas teriam que ser reveladas, e os que não forem de acordo, serão considerados crimonosos.
Aí que consiste o dilema de alguns super-heróis. Pois é, ''alguns''. Há os que defendem tal iniciativa, e os que não, e o governo dos EUA, com ajuda dos super-heróis que o apoia, vão começar a caçar os que são contra.Agora, é possível dizer que isso nunca irá acontecer na vida real. Bem, claro que não vai, pois ninguém solta teias pelos pulsos ou garras pelos antebraços, porém a Lei De Registo de Super-Humanos é baseado no Patriot Act.
O Patriot Act foi uma lei, que deixava o governo ter acesso a informações que, antes eram sigilosas, de qualquer cidadão americano, com a desculpa de dizer que ajudaria contra futuros ataques terroristas. Ou seja, você deixa de mão certas liberdades, para se sentir seguro.
''Guerra Civil'', foi muito comentado nos EUA, pois até personagens como o Capitão América (O líder da resistência contra a Lei de Registros de Super-Humanos) foram utilizados para criticar o atual governo americano.
Um grande momento dessa primeira parte (São 7 no total) é quando o Capitão América é indagado se fará parte do grupo de combate contra os heróis rebeldes, e ele indaga se estão pedindo que ele lute contra pessoas que defenderam o país, e a respota é que estão apenas pedindo a ele o que o povo apela para o governo, nisso o Capitão responde: ''Não venha com politicagem para cima de mim(...) Super-heróis precisam estar acima dessas coisas, ou Washington vai começar a nos dizer quem são os supervilões!''.
Isso impressionou à mim, pois sempre pensei que o Capitão América fosse ser sempre o defensor das decisões do governo norte-americano.
Não é um Fahrenheit 11 de Setembro, mas não deixa de ser uma ótima crítica. Além do mais, é só uma desculpa para luta entre os superheróis. Mas quem dera todas as desculpas fossem tão conscientes assim.